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Marcado por protestos políticos, a edição deste ano do Rock in Rio chegou ao fim neste domingo (24). O “Fora Temer” e várias pautas que foram destaque no cenário político nos últimos dias ganharam os palcos de um dos maiores eventos de música do país.

liniker johnnyhooke

Repúdio à cura gay, à ofensiva do governo Temer e ruralistas à Amazônia, e críticas à violência no Rio de Janeiro, que está ocupada por tropas do Exército, deram o tom das principais manifestações, que ocorreram tanto por artistas nacionais, quanto internacionais.

O vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, criticou a classe política, as operações policiais no Rio de Janeiro e mandou “Fora Temer”, sendo acompanhado pela multidão.

Frejat incendiou a Cidade do Rock, relembrando sucessos do Cazuza, e com a indignação dos tempos do Barão Vermelho colocou a galera pra dançar. Com o clássico “Ideologia”, o Palco Mundo foi palanque para mais um “Fora Temer”.

Um dos encontros mais comentados do festival, o show de Jhonny Hooker com Liniker e Almério foi um dos momentos em que o coro da plateia ecoou na Cidade do Rock, quando o cantor mandou um recado contra o preconceito.

Durante a música “Flutua”, parceria com Liniker, que traz versos como “Baby, eu já cansei de me esconder / Entre olhares, sussurros com você / Somos dois homens e nada mais”, o telão mostrou a mensagem “AMAR SEM TEMER”, em referência à homofobia e também como um recado ao presidente Temer. No final da canção, os músicos se beijaram, em um dos momentos mais emblemáticos do show.

Antes do show, Liniker já tinha passado sua mensagem, chegando ao festival com um brinco “Fora Temer” que se tornou hit na Cidade do Rock.
Quem também fez uma espécie de show-protesto no Palco Sunset foi a banda Blitz. Evandro Mesquita e a banda puxaram gritos de “Fora Temer” após a apresentação de “Aluga-se”, música irreverente de Raul Seixas.

Durante a apresentação de Elza Sores, convidada de Rael, a diva pediu gritos da plateia antes de cantar “Maria da Vila Matilde”, e o público devolveu com “Fora Temer.

Cura gay 
Na semana em que a Justiça Federal do Distrito Federal autorizou psicólogos a tratarem a homossexualidade como doença, o assunto também foi alvo de críticas no Rock in Rio. No Sunset, Ana Cañas aproveitou o show para dar um recado contra o preconceito contra os homossexuais. Segurando a bandeira colorida que virou símbolo da luta, ela defendeu o amor como livre: “Eu só queria dar um recadinho rápido. O amor é a cura, o amor é livre. Trate a sua ignorância, trate o seu preconceito. Por um mundo cheio de amor. O amor é a cura pra tudo na po*** desse mundo!”.

Logo em seguida, antes de cantar a música “O Bêbado e o Equilibrista”, com projeções de imagens da ditadura militar no telão ao fundo, Ana também falou sobre a situação política do Brasil e sobre uma possível intervenção militar, defendida pelo Exército. “Infelizmente, esta música nunca esteve tão atual”, disse. A canção é conhecida por simbolizar a luta do país contra o regime militar.

Também no Sunset, Karol Conka foi mais uma a falar sobre homofobia, além de defender a liberdade sexual das mulheres. “A gente tá aqui neste palco pra representar a diversidade. O amor é a única e verdadeira cura pra uma das doenças mais graves da humanidade, que é a homofobia. Então, meus queridos, fodam-se eles. A gente tem mais força que isso. O nosso amor é muito maior que o machismo e a homofobia. Barulho pra nós”, pediu, sendo imediatamente atendida pelo público do Palco Sunset.

Violência no Rio
O quinto dia de Rock in Rio aconteceu em meio a um dia turbulento na cidade do Rio de Janeiro. A comunidade da Rocinha teve intensos tiroteios que deixaram alarmados cariocas e também turistas. Muitas pessoas tiveram grande dificuldade de chegar a Cidade do Rock devido a bloqueio policial na região de São Conrado.

Luta pela Amazônia
Tema do festival nesta edição, a defesa da Amazônia teve destaque no show de Alicia Keys. Na música “Kill Your Mama”, Alicia recebeu no palco os músicos Pretinho da Serrinha, Vinicius Feyjão, Nego Álvaro e Charles Bonfim e fez um protesto contra a demarcação da Floresta Amazônica. Ela abriu seu microfone para o recado da líder indígena Sônia Guajajara que foi aplaudida pelo público e puxou o coro de “Fora, Temer!”.

 

Informações: O Globo

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