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Apesar de ter negado por várias vezes a intenção de privatizar os Correios, estatal com mais de 350 anos de existência em funcionamento no país, o governo Temer admitiu na semana passada a intenção de entregar a empresa à iniciativa privada.

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse no último dia 21, em Nova York, que há estudos para privatizar a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). Questionado por jornalistas, Meirelles disse que o processo poderia ser feito por meio de privatização ou a abertura do capital da estatal.

Os Correios enfrentam, desde o último dia 20, uma greve nacional dos trabalhadores, por tempo indeterminado. Além da luta contra uma pauta de retirada de direitos apresentada pela empresa na Campanha Salarial em andamento, o combate à privatização é uma das principais bandeiras de luta da categoria, que já denuncia há tempos um processo de sucateamento da estatal.

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Como sempre, o governo alega que a empresa acumula déficits. Segundo a direção, nos últimos dois anos são cerca de R$ 4 bilhões de prejuízos. Frente a esse cenário, a política do governo tem sido uma forte reestruturação, que vem sucateando a empresa e atacando os direitos dos funcionários.

“Não há concurso público desde 2011 e a empresa vem demitindo através de PDVs. Desde 2013, o quadro reduziu em 19 mil funcionários. Tem havido o fechamento de centenas de agências e bancos postais. Os ataques aos trabalhadores, como a tentativa de acabar com o Postal Saúde, convênio médico dos funcionários, também fazem parte desse cenário”, lista o dirigente da Fentect e membro da Secretaria Executiva Nacional e do Setorial dos Trabalhadores dos Correios da CSP-Conlutas, Geraldinho Rodrigues.

Geraldinho destaca o ataque ao convênio médico que está sendo feito pela empresa, que alega que a manutenção do benefício é inviável e tenta há algum tempo acabar com esse direito. Hoje, 97% é custeado pelos Correios e 3% pelos trabalhadores. A medida é um grave ataque, pois o convênio é uma conquista fundamental para os trabalhadores, que recebem salários baixíssimos. Caso tenham que pagar mais, como quer a empresa, isso significará um arrocho salarial ainda mais brutal.

“O fato é que estão preparando a empresa para ser vendida. Eles falam que há prejuízo, mas só o governo retirou mais de R$ 6 bilhões do caixa da empresa a título de antecipação de dividendos, entre 2007 e 2013. Há uma manobra contábil para criar um suposto prejuízo. O fato é que o setor privado está de olho nos segmentos mais lucrativos, como de encomendas”, denuncia Geraldinho.

A ECT é a segunda maior empresa de correios do mundo, menor apenas que o sistema da Alemanha e foi eleita pela Revista Forbes, em 2016, como a melhor empresa de correios entre todos os países.

Os planos de privatização da ECT são mais um grave ataque deste governo corrupto que afeta diretamente a população, principalmente mais pobre. Os Correios oferecem um serviço social utilizado por milhões de pessoas, que vai desde a entrega de encomendas a serviços postais e até bancários. A empresa tem um papel estratégico na integração e comunicação nacional. Em algumas cidades, a agência dos Correios é também o único posto bancário no local. É a segunda maior empregadora do país.

Ao privatizar a estatal Temer estará ameaçando o atendimento público e de qualidade à população, afinal, todos sabemos que o setor privado está apenas atrás de lucros e não do interesse social. Se avaliarem que não é lucrativo tal agência ou prestação de serviço, simplesmente vão extinguir.

” A greve atual da categoria já tem nove dias e se fortaleceu ainda mais essa semana com a entrada dos trabalhadores de São Paulo e Rio de Janeiro. A luta é por nossa campanha salarial, em que exigimos reajuste desde 1° de agosto, e não somente em janeiro de 2018 como quer a empresa; a manutenção do convênio médico; a volta das férias dos trabalhadores canceladas pela a empresa, mas acima de tudo, é contra a tentativa de entrega da estatal”, disse Geraldinho.

“É preciso impedir que o governo Temer e o presidente da ECT Guilherme Campos avancem com seus planos de privatização. Nossa luta é para que os Correios sejam uma empresa 100% estatal, pública, de qualidade e sob controle dos trabalhadores. Fora Guilherme Campos, Kassab e Temer”, concluiu.

 

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CSP Conlutas

 

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